para mirella, coração do mundo
Tinha 17 anos e fugia de casa. Levou uma mochila cheia e os dois cachorros, Janaína e Cocaína. Não sabia pra onde ia, apenas gastava os tênis novos enquanto pensava. É a coisa mais humana que existe. Andar. Lembranças de um nomadismo de antes de existirem os táxis e as cadeiras estofadas, quando tudo que se fazia era andar e andar. E pensar. A medida do quanto uma pessoa pensa está nas solas dos seus sapatos. Andou uns 40 minutos, entardecia, os cachorros volta e meia mijavam, volta e meia provocavam os cachorros dos outros quintais. Já era outro bairro, os ônibus que passavam tinham nomes desconhecidos. As cadelas arfavam, e agora o quê? Sentou numa padaria com mesinhas de plástico, e viu a novela passar na tv. Tomou um refrigerante e depois outro e depois outro. Comprou uma coxinha, e a partiu entre os cães que olhavam hipnóticos – é apenas pra isso que eles usam a força da mente. Assistiu à novela. Não aquela. Outra. E agora o quê?Deixou uns trocados na mesa da padaria. Levou a mochila. Levou os Cachorros. Deixou a menina. Tinha 18 anos e voltava pra casa.
e um negócinho a mais: eu escrevi um texto prum projeto do daniel, colega meu. O conto não é nada demais, mas a arte ficou bem bacana. Pra quem quiser, tá aí embaixo.

18 Comentários
Maio 9, 2007 às 1:17 pm
Só não gostei do nome da cachorra (Janaína). Adivinha por quê??? rsrsrs…
Até.
Maio 9, 2007 às 4:09 pm
‘A medida do quanto uma pessoa pensa está nas solas dos seus sapatos.’
lindo, claudia. e mesuras.
Maio 9, 2007 às 7:53 pm
A medida de uma solidão incomensurável….
Maio 10, 2007 às 5:00 am
“Não sabia pra onde ia”. Isso sempre acontece comigo.
Maio 10, 2007 às 6:47 pm
Ai, ai…
Vc sempre tão….vc. Linhas de menina grande. De grande menina.
Beijos…
Maio 10, 2007 às 9:11 pm
Gostei, Czá. Gostei muito.
Porque as palavras contam e vão nos levando com simplicidade.
Saudade de você.
Um beijo.
:*
Maio 11, 2007 às 5:25 pm
Nossa… de arrepiar, Cza!
Eu, cada vez mais seu fã!
Maio 11, 2007 às 11:39 pm
crescer, né. acontece.
Maio 12, 2007 às 8:17 pm
Sim cães tem poderes telepaticos..fortissimos diga-se de passagem, os meus então…
Maio 12, 2007 às 10:01 pm
como pode uma Czarina tão doce? Lindo, lindo…
beiJardins
Maio 15, 2007 às 11:23 am
Vai tão perto a medida
da coragem do amor
Quando é verde, a cor.
***Estrelas, meu doce***
Maio 15, 2007 às 7:08 pm
Czarina,seu talento é infindo,você escreve coisas fantásticas,é um ser transbordante…nas minhas investigações caóticas te admiro!
Maio 15, 2007 às 8:47 pm
Eu sempre venho me perder em suas palavras…são muito boas, moça.
Mas, você nem me visita, não me linka, não me nada.
Poxa…
Beijoca
Brunø
Maio 15, 2007 às 9:04 pm
Minha querida Czarina. Só peço a quem considero necessário e aprecio o conteúdo. E você já está na minha acidez, apesar de nunca tê-la visto passear por lá. Então, deixa o tempo nos conduzir e que eu faça por merecer a atenção da czarina, né?
Beijocas procê.
Obs: Sim, neste último saiu assim, com final triste.
Maio 17, 2007 às 9:49 pm
eu gosto.
Maio 18, 2007 às 1:28 am
uau. gostei dos nomes do cães. linda homenagem!
Maio 18, 2007 às 12:46 pm
Olá…
gostei do teu blog!
a cada nova experiencia vivida,mais um pouquinho crescemos.
bjo
Maio 27, 2007 às 10:21 am
Estava passeando pela net e vi este espaço magnífico. Adorei o microconto. A necessidade do outro é uma faca de dois gumes, no outro há o reconhecimento. Neste caso, os pais podem ser um reflexo tortuoso da “mochileira”. Contudo, as vicissitudes da vida exigem este elo quase inquebrantável. É isso daí, continue viajando!
Passerei mais vezes por aqui. Adicionei-te.
Um forte abraço!
Antônio Alves