Maio 9, 2007...2:22 am

viagem

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para mirella, coração do mundo

Tinha 17 anos e fugia de casa. Levou uma mochila cheia e os dois cachorros, Janaína e Cocaína. Não sabia pra onde ia, apenas gastava os tênis novos enquanto pensava. É a coisa mais humana que existe. Andar. Lembranças de um nomadismo de antes de existirem os táxis e as cadeiras estofadas, quando tudo que se fazia era andar e andar. E pensar. A medida do quanto uma pessoa pensa está nas solas dos seus sapatos. Andou uns 40 minutos, entardecia, os cachorros volta e meia mijavam, volta e meia provocavam os cachorros dos outros quintais. Já era outro bairro, os ônibus que passavam tinham nomes desconhecidos. As cadelas arfavam, e agora o quê? Sentou numa padaria com mesinhas de plástico, e viu a novela passar na tv. Tomou um refrigerante e depois outro e depois outro. Comprou uma coxinha, e a partiu entre os cães que olhavam hipnóticos – é apenas pra isso que eles usam a força da mente. Assistiu à novela. Não aquela. Outra. E agora o quê?Deixou uns trocados na mesa da padaria. Levou a mochila. Levou os Cachorros. Deixou a menina. Tinha 18 anos e voltava pra casa.

e um negócinho a mais: eu escrevi um texto prum projeto do daniel, colega meu. O conto não é nada demais, mas a arte ficou bem bacana. Pra quem quiser, tá aí embaixo.

petit

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