Porque também tem isso
Assim essa dor sem razão
Que eu sei
E tu sabes
E agora ela sabe
Que é isso assim
Que é como sangrar pra dentro
Um sangue silencioso e sem dono
Que é como um veleiro morto
Que é como ter um terceiro olho
Furado e vazando humores
Que é como perder meu tempo
Desfiando a linha da caneta vermelha
Porque eu já sei,
tu o sabes
E agora ela sabe
E,
diabos!,
todo mundo sabe,
Até o último de nós.
Que é essa compulsão (imaginária?)
Ânsia constante
E a vontade estúpida porque irrealizável
De deitar as mãos nos joelhos
E vomitar pássaros
Que é o pingo de leite
Espiralando lindo no meu chá
Que é o órgão cuidadosamente extirpado
Só para descobrir:
O vazio também pulsa.
Que é não andar sobre brasas
mas aguardar que se apaguem
enrolado num lençol de sono e tédio
que é essa merda toda mesmo
(pardon)
e tu bem o sabes
assim como eu sei
e ela agora também sabe
porque todo mundo sabe,
até o último de nós.
E porque não é nenhum segredo.
Quem sabe doer,
Começa cedo.

14 Comentários
Agosto 29, 2007 às 3:10 am
boa moça. eu sou rápido.
Agosto 29, 2007 às 3:11 am
estreiar parece muito mais poético.
Agosto 30, 2007 às 7:25 pm
Eu posso me apossar de uma frase sua e transformá-la em um título de um conto meu?
O conto não terá nda a ver com a imensidão de tuas palavras poéticas, mas eu amei a frase: O último de nós. Posso usar como título?
Agosto 30, 2007 às 8:51 pm
Putaquepariu, Czarina.
Ótimo, eu adorei.
O vazio também pulsa.
A gente deve estar se olhando no mesmo espelho.
Agosto 30, 2007 às 11:09 pm
ta vendo, claudia, suas coisas sao tao boas que eu e a lubi ficamos falando palavrao. claudia má.
loved it.
Agosto 31, 2007 às 1:14 pm
Estou indicando o seu blog para o blogday 2007 ^^
Agosto 31, 2007 às 1:15 pm
Ops, nessa url (http://navalha.wordpress.com/)
Setembro 1, 2007 às 8:02 pm
o próximo livro tem q ser encadernado, pra caber todos os seus escritos fodas e eu poder vender com orgulho de number one e falar “Chupa, Paulo Coelho” e comentar “Ela é MINHA amiga”.
Encaderne o proximo livro, pela minha saude mental.
Setembro 3, 2007 às 8:17 pm
Tem alguma coisa no seu timming que é muito certeiro! Às vezes uns versos simples caem de um jeito tão… tão! Muito bom, visse! Muito bão…
Jardines
Setembro 4, 2007 às 5:10 pm
Caracóis me mordam.
Você tem umas imagens que me tiram o chão.
“vomitar pássaros”
“o vazio também pulsa”
E eu penso assim, será?
Como será?
Será que ela adivinha as coisas que a gente sente,
ou isso de poesia é uma formiga que leva e traz
um doce um amargo de dentro da gente?
Fico prá variar batendo palmas
boquiabertas e mudas prá ti, moça.
Eita.
***Estrelas tontas***
Setembro 5, 2007 às 12:12 am
Zazá,
Li teus poemas do blog prá mãe em voz alta, e ela andou lendo seu livrinho de curtelhas…
Ela queria que eu comentasse aqui de qualquer jeito por ela.
E disse que não tinha como comentar nada de maravilhoso depois de ler você.
Disse apenas uma coisa:
Que você é indispensável!!!
Beijos dela.
Estrelas minhas.
Setembro 6, 2007 às 3:02 am
Retornando à poesia, chego aqui e grito: “Ô, de casa!…dá licença?” Aos poucos, deliciosamente, vou colocando a leitura em dia.
Beijos na grande menina Czarina.
Setembro 8, 2007 às 11:44 pm
pixels, font true type. letras e, se existir o setor do poema nas resoluções, tem esse até de longe.
brilhante
Setembro 9, 2007 às 4:48 pm
Por onde anda as divagações de minha ilustradora preferida?