Fevereiro 28, 2008...1:52 pm

na falta de um título melhor

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Me bota no colo,

Me roda feito uma boneca

Me dê um tapa nas costas

Me faça cuspir moedas

( américa-quatro-dólares-e-vinte-e-sete-centavos)

Eu não sei,

É que eu me sinto assim de repente

A troco de nada

Sem valor, vazia, esvaziada

Me bota no colo,

Eu só quero ser cuidada

E essas unhas vermelhas me doem

E olha que é só tinta.

eu acho que já sei porque os poetas eram todos uns tuberculosos

é que a poesia não passa disso

desse cospimento de sangue

Me bota no colo,

Corta uma laranja

E me falsifica um tang

Eu não quero ficar doente

(o tempo urge, a vida ruge, as febre, rouge)

Eu tenho uma deficiência de vitamina C

Ou não sei, vamos dizer apenas

Eu tenho uma deficiência.

Me bota no colo

Me leva na feira

Vamos comprar abacates

Pepinos batatas roxas

Todas as verduras a la carte

Deixa eu morar na sacola listrada de lona

As sacolas de lona são tão bonitas

E eu sei muito bem que as sacolinhas plásticas

São os chapéus favoritos

Dos suicidas.

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