Maio 8, 2008...9:14 pm

ensaio sobre o ensaio

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 com graciosos agradecimentos pro PEF e o lerique

 

Depois de meses de estudo sobre a evolução da obra de José Saramago, descobri que tenho a rara sensibilidade para adivinhar quais serão os próximos movimentos literários naturais do autor.

Segue um argumento resumido de cada uma das obras a serem lançadas por ele nos próximos 15 anos.

 

 

Ensaio sobre o silêncio

Aqui, Saramago nos questiona sobre a importância da comunicação. Do dia para a noite, todos os habitantes de uma cidade param de falar. Vemos todas as conseqüências que isso causa, do barateamento das tarifas dos celulares à, finalmente, o desenvolvimento do poder de telepatia desenvolvido pelos habitantes e mais tarde deixado de lado quando, do dia para a noite, todos os habitantes da cidade voltam a falar. (e o conseqüente aumento das tarifas dos celulares).

 

Ensaio sobre a inocência

O livro lançará perguntas a respeito da moralidade humana, quando as criancinhas subitamente amanhecem adultas.Logo, a doença, batizada de hiperdesenvolvimento, se espalha por todo o país e as leis políticas de proteção à crianças e adolescentes vão caindo uma após a outra. Surge uma guerra com os países vizinhos, pois logo surge um poderoso tráfico infantil, de crianças indianas e de outros países onde elas permanecem pequenas e chorosas e etc. Subitamente, as crianças adultas voltam a ser crianças desfazendo muitos casamentos e ressuscitando a rede de pornografia infantil local.

 

Ensaio sobre a constipação

Novamente o autor nos confronta com questões cruciais. Em uma vila sem nome, repentinamente toda a população começa a sofrer de diarréias crônicas e aparentemente sem razão. A doença se espalha por todo o país, mas ninguém fica sabendo, porque afinal, as pessoas não gostam muito de falar umas com as outras a respeito de suas fezes.

 

Ensaio sobre a fimose

Numa cidade desconhecida, as crianças começam a nascer com prepúcios exageradamente grandes. Primeiro, o problema é combatido com cirurgias de fimose, mas logo os hospitais desistem e toda aquela geração é criada com aquela pele extra. Um dia, subitamente, todos os prepúcios caem. No dia seguinte, 1.239 quarentões finalmente perdem suas virgindades.

 

Ensaio sobre o Alzheimer

Em um país desconhecido, as pessoas parecem perder o controle de suas memórias precocemente. Primeiro, trocam nomes, não sabem onde puseram as chaves. Pouco depois, esquecem de por as calças antes de sair de casa ou de fechar a boca quando a baba começa a escorrer pelo queixo. Apesar da boa vontade das nações vizinhas em enviar enfermeiros para trocar as fraldas da população regularmente, grande parte dela morre engasgada na própria saliva. Então, em um final surpreendente, o restante da população continua a se atrofiar, acabando como pepinos, jilós e até outros vegetais.

 

Intermitências do bosque

Um livro que nos lembra das inconstâncias da natureza. O frondoso bosque perto de um condomínio de repente desaparece. No dia seguinte, volta. Depois desaparece. Depois volta. Depois desaparece. Isso tudo acaba sendo muito frustrante para os políticos que tentam construir um estacionamento no local. E para as pessoas que caminhavam no gramado segundos antes de serem atiradas para cima por galhos velozmente brotando do solo. Subitamente, o bosque para de sumir e fica lá quietinho, fazendo as coisas que as árvores fazem, como por exemplo, serem cortadas e virarem estacionamentos.

 

Ensaio sobre o pudim de banana

Uma cidade começa a sofrer com um fenômeno inexplicável. Toda a comida se transforma em pudim de banana. Tirou a pizza do forno a lenha? Virou pudim de banana. Levantou a tampa da panela da macarronada? Virou Pudim de banana. Tirou o laminado do iogurte?Batata. Não, batata não. Pudim de banana. A princípio, todos encaram numa boa, mas logo, enlouquecidos, muitos tentam apelar para o canibalismo. Mas basta colocar o garfo na boca para sentir a carne do próximo se transformando em pudim e o beicinho do faminto, tremendo feito gelatina.

 

Ensaio sobre a eritricose

Sem razão aparente, todas as mulheres do principado acordam completamente peludas. Os homens, desgostosos fazem de tudo, importam quantidades maciças de tesouras e cera depilatória, que de nada parece adiantar. Encontram enfim uma poderosa substância causadora de queda de pelos, que é usada  generosamente. Entretanto, subitamente, as mulheres voltam a ter uma quantidade de pelos adequada, mas já é tarde e a substância deixa-as todas tão carecas quanto bolas de bilhar. As conseqüências desse fenômeno são mais exploradas na seqüência do livro, Ensaio sobre a Alopecia.  

 

 

Ensaio sobre a fama

Nesta crônica sobre nossos tempos, todos os habitantes de um país misterioso se transformam do nada em celebridades instantâneas, sendo perseguidos por paparazzi, dando autógrafos, ficando pedantes e conseguindo transas muito muito fáceis. Algum deles começam a desenvolver patologias como a necessidade de receber 10.000 toalhas na porta de casa ou de estarem rodeados APENAS por objetos na cor verde-limão. Em maio, tudo se acaba e eles voltam a cair no anonimato. Em junho, todo o país se inscreve para participar do Big Brother.

 

Intermitências do sono

Uma noite, em um vilarejo sem nome, todos repentinamente acordam gritando. Depois, como se nada tivesse acontecido, comentam uns com os outros sobre o sonho que tiveram (não era o mesmo), tomam um copo de água e voltam a dormir.

 

Meu tio tinha um periquito

Um dos últimos escritos de Saramago, já atribuído ao seu período de luta contra a demência. Em um vilarejo, inexplicavelmente, todos os tios se transformam em periquitos. E todos os periquitos se transformam em tios. As únicas a reparar a diferença são as tias, pelo aumento considerável na libido do marido. Numa terça de sol, para desalento das tias do povoado, os periquitos voltam a ser periquitos e os tios passam a ser ursos pandas.

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