Então é isso aí. Coisa acaba, coisa começa e eu me sinto como uma pessoa sentada numa cadeirinha de praia, lendo o jornal enquanto os coqueiros se inclinam até o chão mas que continua a ler os horóscopos enquanto o furacão passa. Ou como o paciente que acorda meio anestesiado, sem saber muito bem o que acontece e vê umas pinças remexendo seu fígado, umas mãos fazendo laços com as tripas, o sangue quase magenta de tão arterial mas que continua encarando até que lhe ocorre: Não era para eu estar sentindo alguma coisa?
—
Quando eu era pequena eu achava que sexo era feito assim: primeiro o casal fica de frente um para o outro. Daí vem a máquina (sim, a máquina), põe os dois numa esteira e depois empacota os dois juntos num monte de feno, daqueles quadradinhos, só com as cabeças e os pezinhos pra fora. De roupa. E era basicamente isso.
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Falando em sexo estranho, um primo acaba de me contar um sonho. Os nomes foram modificados para preservar a privacidade do entrevistado.Segue a conversa no MSN.
motociclêiton diz:
eu tive um sonho bizarro
motociclêiton diz:
mas só te conto se vc mantiver ele em segredo
grande consultora onirica diz:
tá
motociclêiton diz:
vc pode até usa-los em algum de seus contos ou adapta-lo pra alguma obra sua
motociclêiton diz:
só não pode dizer q fui eu q falei
motociclêiton diz:
eu sonhei q estava namorando a Bicicléia
motociclêiton diz:
e que a gente era muito feliz e alma gêmea e toda essa melação
motociclêiton diz:
um casal perfeito e tal
grande consultora onirica diz:
sim
motociclêiton diz:
o sexo era o melhor que já tive
motociclêiton diz:
indescritivel
motociclêiton diz:
só que havia um pequeno problema
grande consultora onirica diz:
pau molão?
motociclêiton diz:
não. toda vez que a gente transava, 12 horas depois apareciam penas em nossos corpos
motociclêiton diz:
só que o sexo era muito bom
grande consultora onirica diz:
hahahhahahaa
grande consultora onirica diz:
demais
motociclêiton diz:
e agente não ia parar de fazer só pq apareciam penas em nossos corpos
motociclêiton diz:
e a gente não conseguia tirar as penas pq doia e sangrava
grande consultora onirica diz:
vixe
motociclêiton diz:
e cada vez q a gente transava mais os nossos corpos mudavam
motociclêiton diz:
iam aparecendo penas..
motociclêiton diz:
depois as pernas ficavam enrugadas…
motociclêiton diz:
ficavamos cada vez menores
grande consultora onirica diz:
medo
motociclêiton diz:
se a gente não transasse não acontecia nada
motociclêiton diz:
as mudançãs ocorreram até a gente se transformar em patos!
motociclêiton diz:
e a gente não falava mais, só fazia barulho de patos
motociclêiton diz:
as pessoas até jogavam migalhas de pão quando a gente passeava no ibirapuera
motociclêiton diz:
até que um dia a gente tava passando de asa dada na rua e uns mendingos pegaram a gente
motociclêiton diz:
amarraram em espetos
grande consultora onirica diz:
nãão!!!
motociclêiton diz:
e colocaram a gente na fogueira
motociclêiton diz:
pra comer
grande consultora onirica diz:
daí acaba?
grande consultora onirica diz:
e vc acordou com uma peninha na mão?
motociclêiton diz:
e enquanto eu rodava no fogo eu pensei
motociclêiton diz:
pela ultima vez antes de acordar
grande consultora onirica diz:
ahn?
motociclêiton diz:
dois pontos
grande consultora onirica diz:
vai logo, pô!
motociclêiton diz:
“Pra que que eu vou ter uma relação com minha alma gêmea se no final vão pegar a gente pra assar e comer?”
grande consultora onirica diz:
praticamente uma fábula de esopo.

10 Comentários
Maio 13, 2008 às 4:38 pm
hahahahha
e eu reconheço a fonte e as maneiras. genial.
Maio 13, 2008 às 5:43 pm
Já eu achava que não existia penetração. O casal tinha que ficar na água e aí os espermatozóides navegavam até a fenda – sim, a fenda da mulher (adorei o “sim, a máquina”).
Maio 13, 2008 às 8:17 pm
medo. com certeza esse sonho significa algo muito bizarro.
ou será que eu preciso parar de fazer terapia jungiana?
Maio 13, 2008 às 8:21 pm
ps:
qdo eu era criança eu achava que pra fazer sexo as duas pessoas só encaixavam e ficavam paradas, sem se mexer. até um dia em que eu sonhei que estava fazendo sexo com o Latino (é, o cantor. me leeevaaaa, me leeevaaa lalala) e no sonho a gente se mexia.
considerando a questão do meu comentário anterior: acho que preciso de terapia sim. hahaha
Maio 16, 2008 às 3:38 am
hahahahahhahahahahhahahhahahhahahahahahha
Pior se fosse um pato sarnento.
Maio 18, 2008 às 3:43 am
Belo texto! Belo blog! =)
Maio 19, 2008 às 5:22 pm
Muito bom! e engraçado, sobretudo.
A moral da história é um primor!!
Parabéns, muito legal, o blogue.
Maio 20, 2008 às 7:10 pm
Queria ter primos como o seu! rsrs
Bjs (e tô de volta)!!
REMO SARAIVA.
Maio 21, 2008 às 2:59 pm
Hahahaha, adorei. Você e suas histórias…
Que saudade daqui!
Ando exatamente como o primeiro texto, enfim.
Um beijo.
Maio 21, 2008 às 8:07 pm
desocupada mas com uma mão boa de doer… será que podemos considerar isso literatura contemporânea? esse formato emeésseênico? acho que podemos sabia?mas eu acho tantas coisas, enfim…
beijos saudosos!