Junho 2, 2008...2:26 am

dia desses,

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(texto desconjuntado, eu sei.)

 

eles me apresentaram a ela. Diziam que ela sabia das coisas. Que abraça árvores, que chorava pétalas, que dançava com os lobos, que criava corvos. Que te via por dentro. Ela parecia uma moça normal, dizem que sempre parecem. Regata amarela, mochila nas costas, uma cara meio azeda. Mas diziam que era feliz quase sempre. Sentamos todos à mesa e falamos das coisas pequenas, da chuva, do tempo, amigos, cerveja, as coisas. Nada de oráculo, nada. E olha que eu, bem, eu acredito nas coisas.

 

A noite já ia alta e nós mais ainda. E nada de pintar epifania. E tanta cerveja, fomos ao banheiro. Entramos juntas no boxe. Era espremido e sujo, com a pia vazando, do tipo que costuma ter em botecos do centro. Daí ela virou e me disse.

Umas duas três frases e só. Na lata. No calo.

E foi isso. Que é tudo que se pode pedir de uma pequena xamã. Lobos, corvos, pétalas nada. Ela não sabe curar. Mas ela sabe dizer onde dói.

 

Depois disso, eu tenho tentado por bandeides. Viver melhor (tem melhorado, sim). Acreditar e acreditar também no que ela me disse. Ajuda. Enfim. Depois continuamos a tomar cerveja. Acho que teve também uma porção de salame. Faz um tempo isso.

 

Eu não tive a chance de vê-la menos azeda.

Eu não faço a menor idéia de porque estou contando isso para vocês.

 

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