cacarecos

adultos estão obsoletos

***

Basta de contar histórias. Não, histórias não. Final. Façamos amor com as palavras. Que nos escorram pelos molares como caramelos. Sou Gala. Sem histórias. Nem poesia: apenas palavras se tocando e gemendo e gozando. Transpirando. Respirar palavras, torcê-las. Gala, a amante perfeita. Sou uma mariposa frágil, bela e ninguém me toca para não me fazer mal. Eu, a amante mais só do mundo, guardada em uma caixinha de cristal para que não se rompa. Que não se rompa Galita, cuidado, não toquem nela. E Galita quer que a rompam, a agarrem, a violem, a destruam. Porque é a amante perfeita na caixinha de cristal e chora.

María Eugenia López

***

(…) Sentados sobre as camas de ferro dos seus quartos, lembraram-se:encontrámo-nos. Naquele dia, perante a imagem verdadeira um do outro, sentiram: encontramo-nos. No rosto dele, a esperança. No rosto dela, mais do que a esperança. Encontramo-nos. Encontrámo-nos. Encontraram-se. Foi ele que caminhou a distância pequena que ainda os separava. Foi ele que estendeu os braços. Ela baixou o olhar entre o seu corpo imóvel e a terra. Os braços dele sem uso. As palavras formaram-se dentro dela. As palavras aproximaram-se dos seus lábios. No silêncio, entre os seus rostos, as palavras existiram e foram um eclipse. (…)

José Luis Peixoto, excerto de “Ao Adormecermos Eternamente” in Antídoto

***

slap.jpg

Deixe uma resposta