parábola

Era uma devoradora de homens. Partia corações que nem palitinho. Um dia, apaixonou-se perdidamente.
– Amo-te.
-“O amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas.” Pensei que fosse assim pra você.
– É verdade. E tive que pular muita grade, pra te trazer este buquê.

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conflito

A mentira tem perna curta
que nem a vara com que ela cutuca
a verdade. A onça, não.
A verdade, crua e nua
com a mão no bolso
e três pedras noutra mão.

E foi um quebra pau
sem bater bem da cabeça
(-dura)
tanto bate até que fura

Daí foi preto no branco
unha e carne
(-viva)
e um minuto de silêncio
e de volta à ativa

E ela acaba dando o sangue
suor e lágrimas
(-de-crocodilo)
escarrado e cuspido

[uma faca de dois gumes
deixa tudo
sem pé nem cabeça]

Até que acaba
o dois-mais-dois
lados da moeda
é tiro
e
queda.

e é só isso, my boy:
cuidado com a verdade
(-dói).

copas

Coração de gente
dois átrios.
dois ventrículos.

Coração kitinete
dois quartos.
dois vestíbulos.

[coração astronauta
quatro espaços.]

Coração garagista
dois autos.
dois veículos.

Coração dramático
dois atos.
dois ventríloquos.

[coração de mãe
quatro abraços.]

Coração Mastercard
dois extratos.
dois círculos.

O meu
quatro hiatos.
muitos ridículos.

A Yakissoba Story 3 – Enfim, yakissoba.

Talvez você se lembre de onde a história havia parado. Em caso negativo, favor reler o último parágrafo do capitulo anterior. E não o primeiro, ou você corre sério risco de ter um deja vu. Sim, caro amigo, você está numa aprazível situação, cadeira na calçada, cerveja na mão, realmente um camarote de primeira com vista para a barraca do chinês.

E é aí que vai ficar, bem quietinho, sem dar um pio. Está vendo? Alguém se aproxima da barraquinha. Sou eu, seu mui amado narrador. Prazer em conhecê-lo. É claro que não te cumprimento. Não te conheço como personagem, entenda, apenas como narrador. Eu preciso saber separar as coisas, senão me sobe à cabeça, coisas de escritor… Perdão, onde estávamos? Você, no bar. Eu, em frente à comida chinesa, glândulas salivares funcionando e tudo o mais.

No momento, falo com o dono da barraca. Por comodidade, vamos chamá-lo de Ling, Sr. Ling. Ele me oferece seu manjar pelo preço módico de R$ 2,99. Saco uma nota de 20. Oh-ou. Mas não é possível…é? O pobre oriental não tem troco. Ele diz “votê cuidá balaca. Mim tloco. Hihihihihihi.” assim mesmo, risadinha chinesa e L no lugar do R. Você pode ouvir, de onde está, só pra confirmar que não estou mentindo (e eu lá mentiria para você?).

O Sr. Ling pega os 20 paus e some em meio à escuridão. Impossível ouvir seus passos de chinês se distanciando. Assumo seu lugar na barraca, para atender os novos clientes que já começam a se ajuntar em fila. Com a destreza que me é natural e anos de observação de preparo de yakissoba de calçada, começo a substituir o chinês. “Está pondo mais frango do que deveria” diz a parte chinesa do meu cérebro. A parte judia se apressa em concordar.

Um, dois, tlês clientes satisfeitos. Dois yakissobas pequenos e um grande no capricho. Até que não é uma vida má. Acho até que os vapores dos legumes estão me fazendo bem. Estou até enxergando melhor. 20 minutos…e nada do Sr. Ling voltar. Deve estar tentando trocar a nota no posto, e o frentista vai demorar horas para decifrar a palavra troco. Mais clientes. Acho que o óleo espirrou no meu cabelo. Ele só fica liso assim de oleoso. Mais dois yakissobas glandes…esse cala deve ganhar uma grana preta.

Mais de uma hola. Pla onde foi esse china? Yakissoba (gestu di pikênu) doizinoventainóvi! Duas mocinhas pedindo. Lindas, lindas! Mais dois vendidos. Uma hola i meia. Homi safadu, fujiru cum meus vinti leais! Você, no bar! Quelê yakissoba? Flango, flango! (gestu di pikênu) Doizinoventainóvi! Lindo! Moto flango. Jackie chan! Nitte yakissoba han hao.

SEXO ou HAAGEN DASZ

O original, da aula do Celso, com uns rebites, rabatuques e demais alterações. Nem sei como não tinha vindo parar aqui ainda.

É inegável que qualquer um dos dois (sexo ou Haagen Dasz) é uma opção prazerosa. Os dois juntos então… nem se fala, parece aquelas cenas de filme romântico envolvendo chantili e uma cerejinha. Ou argila. Sei lá, depende do filme que você andou assistindo. Mas nem pense nisso. O caso aqui é matar ou morrer. Ser comido ou comer.

E já que o assunto envolve tanto de instinto e voracidade, porque não analisarmos de forma oposta? Sejamos racionais!

Comecemos por uma das questões que mais preocupa o homem moderno: Sua saúde. É ela que possibilitará (ou não) que ele desfrute muitos anos mais, tomando sorvete e fazendo sexo. Este último constitui uma forma importante de exercício aeróbico e cardiovascular, trabalhando também como tonificador muscular e adicionando diversos benefícios para a saúde de seus esportistas. Haagen Dasz, por outro lado, adiciona somente centímetros à circunferência deles. Ponto para o sexo.

A questão seguinte diz respeito à independência e auto-suficiência. Sexo pode, sim, ser consumido solitariamente, mas em tais condições perde muito de sua graça e beleza originais. O sorvete, entretanto, necessita apenas de uma colher e do indivíduo necessitado (aquele que optou pelo sorvete, é claro), poupando-o, ainda, de possíveis situações constrangedoras. Ninguém vai perguntar a ele, por exemplo, o que ele esteve fazendo por meia hora na frente do refrigerador. Ponto para o sorvete.

Sexo pode ser executado nas mais diversas posições, com um número variável de participantes que variam eles próprios em formatos, cores e tamanhos. E sexos, claro. Os sorvetes, especialmente os da marca em questão, possuem inúmeros sabores, desde o óbvio e simplório “creme” até o inusitado e exclusivo “cheese cake”, e se apresentam em diversos tamanhos de embalagem, buffets, picolés, copinhos e casquinhas. Quesito variedade: nota: 10. Vezes dois.

Outra questão importante a ser levantada (nesse mundo que bombardeia com informações nossa pobre massa encefálica) é a energia mental que cada atividade dissipa. O sexo, por ser uma atividade complexa, nos ataca com todo o tipo de questões filosóficas: Quem vai por cima? Que Posição? Cuspo ou engulo? Já o sorvete não exige grande trabalho cerebral: Quem vai por cima é a cereja. Vou comer sentado. E, a menos que esteja fazendo um regime terrorista, acho que vou engolir. Sorvete faz um strike, tomando a liderança.

A última questão, e a mais fundamental: qual deles nos dará mais prazer? Provavelmente 10% da população mundial se levantaria neste momento gritando “SEXO!”(10,1% deve ser mais ou menos a quantidade de gente que entende a lingua em que a pergunta foi feita). Mas calma lá. Isso aqui não é Vox populi. Cadê os fatos? Cadê os ratinhos brancos, que pela primeira vez na vida tiveram sorte, e se mataram de tomar sorvete e trepar?( os ratinhos diriam “cadê? Na hora de pesquisar a sonda anal fomos os primeiros a ser chamados.”) É diferente gente. Quanta endorfina cada um libera? SEI LÁ. E, veja bem: essa questão é vitória, ou empate, daí a gente podia ir pros pênaltis. Mas assim…vamos ter que esperar os cientistas.

Enquanto isso, alguém aí quer um pouco de sorvete com sexo? Eu trouxe chantili.