funk do sudão

 quem diria, eu escrevi um funk. tati quebra-barraco, fica na tua!

muahahaha

 

Não importa se ela é árabe,

afegã ou turca

Esse é o funk

para quem vestiu a burka!

 

Nas arma, munição

Nas água, H. Pilori

Roubou, nóis corta a mão

Nasceu, nós corta o clitóris

 

Chorus

Homem goza, mulher não

Homem goza, mulher não

Viva viva viva o sudão!

Viva viva viva o sudão!

Homem goza, mulher não

Homem goza, mulher não

Esse é o funk  do sudão!

 

Uganda fica ao sul

Egito fica ao norte

Muié desacompanhada

É apedrejada

até a morte

 

Não pára, não pára, não pára, não

 

Não pára, não pára, não pára, não

 

Não pára, não pára, não pára, não

Não pára, não pára, não pá…

 

Caiu no chão.

realidade absurda/carnavalesca

 flameashes

apenas na ilustre casa de araçá você encontra Dar Struwelpeter, belissimo livro de contos infantis alemães. Nele, contos educativos que demonstram que crianças que chupam o dedo acabam tendo os dedos cortados com uma tesoura por homes que surgem do nada ou que meninas que dançam muito podem acabar pegando fogo e virar uma pilha de cinzas, como ilustrado acima.

As figuras são fotos tiradas direto do livro. Ah, a boa e velha educação alemã!

 

***

Bom, fomos viajar no carnaval e, entre outras coisas alcoólicas, tínhamos no porta-malas um galão de 5 litros de vinho barato. Antes de sair do supermercado a garrafa quebrou. O vinho foi todo pro compartimento do estepe ( ainda bem, assim não molhou a bagagem). Enfim, chegando ao destino, com uma xícara a dona do carro começa a desempoçar o vinho do porta-malas, enchendo um balde todo.

– Olha, tirei tudo. Agora é só cozinhar e fazer vinho quente!

– Pô, mor, não! Nem mendigo faz isso!

– Claro. Mendigo não tem carro…

 

***

Tivemos um convidado meio sem noção. Do tipo que fica pondo pra tocar a música da banheira do gugu. E achando o máximo. Então. Uma das outras pessoas disse que levantou no meio da noite pra tomar uma água e inocentemente escutou a seguinte conversa entre o sujeito e a namorada:

Ela: Hum, pára com isso, eu tou tentando dormir.

– Dormir? Mas…eu achei que a gente estava fazendo amor!!

 

Cruzes.

poema para um colar

Pedra que me pesa o pescoço

Atada por um laço de fita

O meu corpo pende pra frente

E o adorno se agita

sempre o mesmo movimento

Grande pingente ao vento

Que recua e que avança

primeiro vem e me toca o peito

corre distancia e pára

decepção de um sólido nada

enorme pedra fardo

que dança

relógio da tua passagem

pêndulo da minha inconstância

123

1.

Chegou em casa. Exausto. Molhado. Sujo. Tão sujo. Lá fora chovia. Entrou e foi deixando pelo caminho seus objetos de rua enquanto prosseguia. As chaves no mármore da entrada, a carteira sobre a mesa da sala de jantar, o cinto no corrimão, as calças no meio da escada, a camisa no corredor, a cueca no chão do banheiro.

Entrou no chuveiro.

Girou a torneira escrito Q até o fim e deixou a água cair. Fechou o vidro do boxe. Ali dentro chovia. Fechou o boxe como quem sela uma porta. Deixou-se ficar debaixo da ducha, tudo escorria. Lá fora, a cidade inundava. Não fez nada além de ficar parado, tentando respirar entre as gotas de água. Água fervente tem um poder curativo. Ficou empapado como um saquinho de chá. Nem toda angústia resiste ao calor. Lá fora, a água subia os morros, entrava por debaixo das portas, cartas endereçadas a ninguém. Era um banho longo, precisava ser. A chuva cobriu as casas térreas. Depois, os sobrados. Chovia, chovia.

A água entrou na casa dele, subiu, no espaço de dias, degrau por degrau, encharcou as calças, levou a camisa, invadiu o banheiro. O boxe não. O boxe era à prova d´água e ele ainda. E no banheiro cresciam anêmonas, passeavam peixinhos. Lá fora, civilizações atlantes ergueram-se e ruíram. Os peixes se foram, as anêmonas murcharam, as gaivotas migraram. A cueca continuou lá. A água escoou do banheiro, foi recuando pela cidade. Os homens voltaram a andar pelas ruas, os pássaros a piar, as formigas a fazer as coisas que as formigas fazem. Atrás do vidro esfumaçado, ele erguia a mão em direção ao sabonete. A água quente estancou. O homem saiu e, envelopado em sua toalha, se indignou. Tomou um banho tão longo. E foi o mundo que ficou mais limpo.

2.

Amanhã é aniversário dele. Dez anos, redondinho. Tanto a fazer. Ir na cozinha. Espiar a mãe fazendo bolo. Ela fingindo que não vê. Mas no fim deixou ele raspar o pote da cobertura. Roubar um brigadeiro. Espalhar confeitos pela cozinha toda. Tanta coisa a fazer. Esperar papai. Dizer a ele Amanhã é meu aniversário! Mas quando sai da cozinha papai já entrou, papai já subiu. Papai já abriu as torneiras. Mas tudo bem, muitas outras coisas a fazer, ele entra no próprio quarto e espalha no chão todos os brinquedos. É preciso brincar. É imprescindível. É preciso brincar com eles todos. O menino gosta de seus brinquedos. Sabe que são brinquedos, sem dúvida, que são… objetos. Mas tem o maior respeito. O maior afeto. São objetos mas com sentimento. O sentimento dele. Então era preciso brincar. Amanhã seriam brinquedos velhos, relegados ao esquecimento. E nenhum sentimento no mundo pode reverter a obsolescência. Não quando você acabou de ganhar o novo carrinho do batman com luzes que acendem de verdade. Brincou com todos e ia, desde antes, atropelando sua culpa. Brincou, brincou. Lá fora chovia. Cansou de brincar. Que banho demorado. Entrou de fininho no banheiro para dizer que Amanhã é meu aniversário! Mas daí encontrou o pai. Chorando. Voltou para o quarto e então já não pensava em jamais afrouxar o abraço de em torno daquele ursinho.

3.
Amanhã é aniversário dele.Tanto a fazer. O bolo. A decoração. Os lanches. Enrolar brigadeiro. Limpar a casa, meu deus, tanto a fazer. Viu que o filhote a espiava fazendo bolo, chamou pra ajudar. Controlou a batedeira, lambeu o pote, roubou o granulado do brigadeiro. Criança é assim. Em 15 minutos dava pra jurar que não havia um só azulejo limpo em toda a cozinha. Isso feito, ele se sentiu pronto para partir e se entregar a seus próprios afazeres infantis. Ela terminou de encher a bandeja de brigadeiro. Pôs os salgados na geladeira, amanhã só teria que assar. Limpou a cozinha. Varreu a sala. Subiu as escadas, recolhendo as peças de roupa que o marido espalhou. Ah, porque ele não pode simplesmente se despir num lugar só? Ela não pedia que recolhesse a roupa, que dobrasse, que pusesse no cesto de roupa suja ou de volta no armário. Apenas isso: que deixasse o montinho de roupas, fosse onde fosse, no lavabo, na sala, no telhado, qualquer lugar desde que estivesse tudo lá. Mas não, claro que não. Um bom strip exige movimento, ele dizia. Ela pôs as roupas sobre a cadeira e se deixou na cair na cama. Um minutinho. Um só. Tanto a fazer, ainda. Quase silêncio. Só o barulho do chuveiro ligado. Não. O barulho do chuveiro e a chuva lá fora se sobrepondo, que engraçado. Fim de tarde quieto, sem nem mesmo os programas vespertinos soando distantes na televisão. Uns borrões de colorido começaram a invadir sua visão do teto. Respirou muito fundo. Estava cansada. Fechou os olhos. Só um pouco. Ouviu cessar aos poucos a chuva. A porta abrir. O marido entrou pingando. Ficaram assim parados, se olhando por um tempo. Ele perto da porta, crescendo uma poça a partir dos pés. Ela estirada na cama, só a cabeça voltada de lado. Lá fora, volta a chover. Amanhã é meu aniversário! grita uma voz debaixo da cama. Surgem duas cabeças do escuro debaixo do estrado, uma delas de pelúcia. Amanhã é meu aniversário. Ele sorri. Ela sorri. Lá fora, chove.

Joseval ataca de novo

novamente, claro, com nélson

Com desgosto, Joseval Siqueira abriu a carteira e entregou pela janela trinta e cinco reais ao taxista. O motorista agradeceu e arrancou em seu carro amarelo em busca de mais um passageiro. Deixou Joseval plantado no meio da rua, limpando a poeira – levantada pelos pneus de seu táxi – acumulada em seu paletó surrado. Assim que terminou de bater as mãos em seu tórax, caminhou em direção à portaria do prédio antigo que o abrigava desde que se mudara da zona leste. Seu interior era escuro e o mofo revestia as paredes. Os fungos proliferavam-se graças à umidade excessiva do cimento cheio de infilitrações. Não podia se queixar, era o melhor que seu dinheiro poderia pagar.
Subiu as escadas até seu quarto no quinto andar. A primeira coisa que fez ao entrar no cômodo foi ligar seu computador. Mesmo com seu salário de semi-desempregado, mantinha o vício de utilizar a Internet. Seu alvo eram os sites de encontros pessoais. Acessava usando um daqueles provedores que pagam ao usuário. Uma vez conectado, começava a passear por orkut, MySpace, Multiply, FindADate e tudo o que pudesse conectá-lo a outras mulheres, que não a desgostosa Silvinha. E, claro, com o MSN aberto.
Nenhuma mensagem nova. – Estou fodido mesmo – balbuciou em um grunhido difícil de entender. Ainda vadiou por uns momentos, pensando no fracasso da noite com Silvinha. Resolveu tocar uma para uma dessas celebridades de quinta categoria de seu tempo sem glamour.
Um pouco cansado do exercício no banheiro, pegou na geladeira uma coxa abandonada de frango e foi se despindo. Deixou o osso sobre o rádio relógio e foi dormir.

*****

No dia seguinte, fiquei pensando na frustração da noite anterior. só havia aumentado depois da maldita masturbação. que jeito horrível de se acabar uma noite: pensando em fazer sexo com uma big brother. tinha de arranjar alguma pessoa hoje.
Entrei no dating service. Nada ainda. Então tomei uma chuveirada pra tirar o ranço de ontem. Vesti uma cueca limpa. E comecei a procurar uma garota com um perfil menos…Silvinha.
De fato, não consegui. o tipo de gente que usa estes sites é bem joseval & silvinha, pares perfeitos. então, vamos lá. abordei uma tal de mariana ruiva 29. estava online e provavelmente receberia resposta logo.
Tiro e queda. Em uns dois minutos tinha uma mensagem em caixa. ” Nossos perfis combinam – odeio quando elas usam esse sorrisinho-pontuação – Também adoro macarrão. Vamos numa cantina italiana?” ao menos ela era direta. Sem complicação.
Vi suas fotos. não era bonita. mas também não era uma silvinha. marcamos às 20 horas e eu contava meu dinheiro que seria gasto. morando sozinho cosneguia gastar mais com esse tipo de divertimento, mesmo recebendo pouco.
Dava pra um talharim e um refrigerante. Quem sabe até uma torta holandesa. Confirmei com a rapariga, seja o que deus quiser e tomara que ela escolha uma cantina furreca.
Com as pernas ligeiramente abertas. Como Al Pacino faria. Sim, temos muito em comum. Marianaruiva29. Já não era ruiva. Já não devia ter 29 também.
Fui direto.
– Ruiva? não vejo fios que possam dizer isso. Gosta de pintar os cabelos?
– Oh, é verdade. Aquilo no site é meio desatualizado. Na verdade até ajuda. Atrai muitos homens firmes assim como você.
– Uau. Começou elogiando. Me senti como Al Pacino. Agradeci e logo a conversa fluiu agradavelmente, sobre como é ruim levar bolos e sobre toda aquela babosiera de internet. Esperávamos despreocupados pelo talharim.
Chegaram os pratos. Enormes. Novelos e novelos de massa submersa em um molho vermelho e grosso. Vinho tinto. Pão de alho, meu deus, Pão de alho! Estavamos indo muito bem. Ora a quem estou enganando. O que não estaria muito bem com uma cesta cheinha de pão de alho?
Cheguei à conclusão de que o preço cobrado era módico. O prato valia muito mais. Nossa, que local excelente. E mais excelente ainda era o modo que Mariana tratava a comida. Comia devagar, e quanto mais comia, mais abria as pernas, roçando em mim e me olhando de maneira tarada.
Precisva agir como Al Pacino. – Vamos para o meu apartamento. Agora. – Ela gostou da idéia, e sorriu depois de um gole de vinho.
Pedi a conta. Me ofereci pra pagar. Me sentia generoso. É o tipo de sentimento que me pega desprevenido. Ela insistiu em rachar. Ah, uma feminista. Os machistas podem dizer o que quiserem, mas nesse ponto as feministas são demais. Me pegou pelo braço, disse Vamos. Segura. Implacável. Incrível como ao longo da noite ela foi ficando mais bonita. Essa moça, ela é como Al Pacino.
No caminho fui dizendo que minha casa não era legal, que era meio escura e que ela não poderia gostar. Ela insistiu querendo conhecê-la e eu não tive saída. Tinha que ser infalível. Fazê-la não perceber as imperfeições do local. Tarefa difícil. Mas era minha única chance. Vamos lá.
Estávamos no elevador. tudo bem, tudo bem. Tem espelho, ela ficou ajeitando o cabelo, tirando uma salsinha do dente, nem reparou nos palavrões escritos no painel a ponta de chave. passei o braço ao redor dela antes de abrir a porta do apartamento. Mais que um gesto intuitivo, era estratégico. Tentei encobrir a visão dos aposentos com meu corpo.
No fim, não consegui esconder o apartamento. Ela fez que não ligava e foi logo tirando o casaco que cobria seus ombros. Senti que dessa vez a coisa ia sair bem. Abri a janela e sentei-me a cama, tirando minha gravata.
– Não, Joseval. Deixa que eu tiro. – Ela sentou-se ao meu lado na cama e senti-me conquistador como Al Pacino. Deixei que ela atirasse a gravata no chão. Sexy. Puxa, você não tem um abajur? Ela perguntou. Não tinha. Liguei o computador. Pronto, baby. A tela ilumina. Improvisação nas horas dificeis. Como Mc Gyver. Não é Al Pacino, mas ao menos é um cara famoso.
Mariana olhou meio assustada pro computador. Deve ter pensado o quão conquistador barato eu era. Virou-se bruscamente para mim, e acabou chocando seu braço contra minha testa. Seu anel acabou arrancando um pedacinho de pele do supercílio e começoui a sangrar. Ela ficou desesperada, pedindo desculpas e procurando algum algodão, um remédio. Para meu lamento, foi procurar na cômoda.
Ao abrir a primeira gaveta, ao passo que eu implorava para que ela não abrisse, ela achou, desposados de qualquer jeito, o relógio velho e o ossinho da coxa de frango. Gritou, pulando para trás.
Virou pra mim, os olhos brilhando. Joseval, que porra é essa? Ossinho de frango, meu bem. Só um ossinho de frango. Tirei da mão dela, carinhoso, joguei no lixo do banheiro. Todo gentileza. Um gentleman. Um superhero. Ia, heroicamente, salvar o clima. Busquei um vinho pra nós dois. Pus uma música. A tela do pc colaborava, fornecendo uma meia-luz digna de cabaré.
E eu bem queria que ela fosse realmente uma puta, como tinha demonstrado no restaurante, abrindo suas pernas e roçando nervosamente em minha canela. Mais uma vez ela relevou as más condições do meu doce e mofado lar. Talvez estivesse precisando de sexo tanto quanto eu e isso era bom para nós dois. Começamos a nos agarrar, e sem romantismo, ela foi logo descendo seu vestido, revelando estar sem soutien e sem calcinha. A noite era, definitivamente, minha.
Por baixo do vestidinho, uns peitos medianos . Não, Al Pacino não teria peitos assim, mas sejamos francos, a essa altura dos acontecimentos pensar no Al Pacino poderia estragar tudo. Então pensei na Loira que dança tango com o Al Pacino, e de fato, Mariana tinha pernas de dançarina de tango e, melhor, volúpia de dançarina de tango. E eu. Que fazer? Eu apalpava como um ceguinho.
E nossa, como ela se movia, lânguida, seus seios bailando tango em minhas mãos, mas, mais embaixo, em meu colo, o encontro de nossas coxas proporcionava um samba que nenhuma mulata da Sapucaí conseguiria dançar. Pelo menos não na avenida.
Eu mestre-sala. Ela, Porta-bandeira. Porta-bandeira, que trocadilho malicioso isso não daria. E agora, olhos fechados, ela já não via o apartamento, as meias sujas, a louça por lavar, a luz neônica que emanava a tela do computador, sequer me via, devia ver Al Pacino, James Bond, quem quer que habitasse seus sonhos molhados, mas eu via tudo, cada contorção, cada suspiro.
Malditos cupins. Decisivos para o fim da minha breve experiência sexual com Mariana. O que eu recebia do meu provedor de internet não fora suficiente para combater a praga que roía o estrado da minha cama. Agora estava eu, nu, ao chão, com meu ferimento no supercílio estancado, e com uma lasca de madeira na perna, observando a lascívia deslizar porta afora com Mariana, enfurecida, ainda se vestindo.
Moça corajosa, é preciso dizer. Sair por aquele bairro, àquela hora amarrando alças em um vestido que, eu bem sabia, não tinha nada por baixo. Não era muito compreensiva com relação aos cupins mas era corajosa. Não fossem os peitos, poderia ser Al Pacino.