Batalha por Dudinka

Para o cara que fez a divisão de países no jogo War. Seja lá quem ele for.

1.

Você conhece Dudinka.  Dudinka, a porção de terra rósea, o sonho cercado por paliçadas, Dudinka, a cidadela da beirada, onde inventaram as luminárias e se fazem os melhores cachorros-quentes e bolos-de-anis. Dudinka.

Onde não se entra nem com aríetes e nem pedindo licença. De onde fomos expatriados antes mesmo de nascer.

A cidade sem carteirinhas.

Dudinka, que só você imagina. Que você só imagina.

Dudinka, da qual de fora se vê um único campanário. Recortado contra o céu com tijolinhos diminutos. Onde o vento passa por onde não há sino. Não existe mais nada. Nada além de portões e desejar puxar as cordas e ouvir o silêncio cristalino.

Dudinka.

Dudinka.

2.

 Eles me chamam A Generala. Está certo, talvez esteja certo. Ademais, soa bem. A Generala. Eu ando por aí, ferrolhos e armadura. Meu caballo é preto, eu não acredito nas besteiras que se diz sobre quem monta cavalos brancos.

Eu percorro diariamente as paliçadas, olhando, pensando.

Procurando minha brecha.

Sim, o sangue ainda vai correr.

Dudinka, eu estou sempre armada. (é mentira quando dizem que existem sentimentos inofensivos)

Veja bem, eles me chamam A Generala.

O destino está tão selado quanto meu cavalo.

3.

As paliçadas não cedem jamais. Fogo, balas,TNT, catapultas. Nem mesmo o melhor sopro do lobo mau. Nem sequer as gruas Caterpillar.

As coisas saltam pelos dois lados do muro. Pedras, óleo quente. Meus expatriados não se importam. Lutam.

Quanto a mim, sento-me à frente do tabuleiro. Sonho com uma cidade de portas abertas, de pão cheiroso e sem historiadores. Dudinka, onde as portas se abriram eternamente anteontem. E as crianças brincam de todos os lados da paliçada, olhando para o chão, sim, é preciso tomar cuidado com as minas.

Todos os dias as coisas explodem.

Não é possível, em Dudinka também se morre.

Não quero herdar uma cidade de mortos. Nem sequer uma trincheira .

Quanto a mim, não tenho medo. O pior que me acontece são meus melhores textos.

Todas as noites eu contabilizo as baixas.

E escrevo o mesmo número de elegias.

4.

Dudinka, faz tanto tempo. Minha barraca ainda está plantada na porta, a paliçada ainda está de pé.

Derreti os soldadinhos de chumbo para fazer minhas ultimas 6 balas.

Os soldados de carne também já se foram há muito. Dudinka,você também se tornou uma cidade de mortos.

Mas o sangue ainda vai correr. Nas veias que lhe são direitas.

Eu ainda estou aqui, ferrolhos e armadura.

Eles ainda me chamam A Generala. Talvez estivessem certos. Não estavam.

O meu dom não é a guerra.

É a espera.

Dudinka, eu estarei aqui quando os lagartos evoluírem em ratos depois em lêmures e macacos e então finalmente em homens na bolha poeirenta dentro da muralha.

Eu estarei aqui quando surgir a primeira geração das primeiras crianças.

Quando brincar ao longo da paliçada o primeiro menino de 7 anos que ainda não sabe que não se deve abrir a porta para estranhos.

E então.

Dudinka.

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Segredos em roupas de inverno

É inverno e os segredos finalmente têm coragem de sair de suas casas de janelas pretas, suas tocas vedadas, calafetadas e bem abastecidas para o caso de secas e enchentes ou outros holocaustos de tamanho moderado.

Passeiam nervosos, mãos ajustadas nos bolsos e os olhos ávidos giram em torno de árvores peladas e nuvens cinzentas. Segredos em roupas de inverno. Poderia-se acreditar que são pilhas de agasalhos vazias carregando sacolas e aguardando abrir o sinal porque entre a touca e o casaco e o cachecol e a gola rulê não se vê nem sequer a suas pontas de nariz azulando.

Se abastecem de creamcrackers e imagens para muitas estações e olham bem para cada pessoa e banco de praça e passam muitas horas arrastando para cá e para lá os cachecóis antes de tilintarem as chaves na fechadura. Trancam e destrancam 5 vezes cada cadeado, ligam e desligam 7 vezes os alarmes (é preciso ter TOC para ser um segredo) e passam uma nova demão de tinta nos vidros. Só então suspiram e tiram camada após camada de agasalho suado sabendo que ninguém viu, que ninguém vai ver.

 

Entretanto, em poucos dias lhes começam os chiados no peito e logo toda vizinhança escuta alarmada os incontroláveis acessos de tosse.

E quando os bombeiros põem a porta abaixo a machadadas, de repente se vê uns dedinhos tortos tentando tapar as ranhuras e,

bem,  

é assim que morrem os segredos.

Sabedoria de improviso apresenta: o melhor e-mail de TCC já escrito.

[e-mail, dia 09/11/06 , subject: orçamento do folheto]

 J.Bom pessoal, descobri que pra fazer o folheto custará R$ 0,299 a
unidade, se fossemos fazer 20.000 sairia R$ 5.980,00.

Proposta # 200684
SAO PAULO, 09 de novembro de 2006

     Prezados Senhores,

             A LABORGRAF ARTES GRAFICAS  tem a satisfação de submeter à
     apreciação e conferência de V.Sas., nossa proposta para execução dos
     serviços a seguir discriminados: (…)
Sem mais para o momento subscrevemo-nos mui,

     Atenciosamente, F.nossa….quem escreveu isso era algum fidalgo? que linguagem quixoteana. Euum fidalgo preconceituoso. fica discriminando os folhetos…
pobres folhetos, chuif…
 J.Eu achei fantástico:
Sem mais para o momento subscrevemo-nos mui,
Atenciosamente.
Apartir de agora sempre terminarei meus e-mails assim.
 F.(…) e isso ta certo gramaticalmente? J.Não tenho certeza, mas encontrei isso:

“Sem mais para o devido momento e certo da compreensão dos Senhores desde já agradecemos a atenção que nos foi dispensada e subscrevemo-nos mui,

Atenciosamente,”

(…)

Parece algum tipo de linguagem jurídica. Eueles são mto pró F.prónasianos!!!! M.PROCRASTINEIROS!!!!!! (…) F.Olha lá vai passando a  PRÓCISSAO! 

(…)

J. 

Presente Pret. perf. simples Pret. mais-que-perf. simples
procrastino procrastinei procrastinara
procrastinas procrastinaste procrastinaras
procrastina procrastinou procrastinara
procrastinamos procrastinamos procrastináramos
procrastinais procrastinastes procrastináreis
procrastinam procrastinaram procrastinaram

 F.o J. esta me PROvocando. J. boy! muda no orçamento: uma exposição no SESC custa de 100 a 500 mil reais. Uma graaaande como a Ilusão de verdade, e como vai ser a dos sonhos, uns R$800 000! (…) Abraço. PS: o processo de dinheiro é totalmente diferente do que faremos. avante com as falacias e balelas! PS’: M. dadazinho. nao te preocupes. o TCC está ótimo. A banca sabe menos do que a gente. beijo. Nao pira. deixe isso para o JAIMINHO! M.Piiiiiiiiira Jaiminho. ok pessoas. eu estou tranquila. arranjei uma grafica que imprime e encaderna e entao consegui uns descontos. (…)  Mas jota, é com vc. Vc é o homem dos números. beijos. bola pra frente. nhargh 

[muito (…) depois]

 J.Pode deixar, dinheiro para todo mundo. (…)
Outra coisa, vocês acham que colocar que a verba é destinada por projeto basta como justificativa? Como eles vão saber que não é um número absurdo? Como eles vão saber que o SESCSP vai bancar? Não seria melhor colocar quanto foi destinado ao SESC Pompéia no ano de 2005? E quanto eu coloco?

Qual o sentido da vida? Pra onde vamos? De onde viemos? Eram os deuses astronautas? Como se desenvolve a vontade de fazer o que é bom e virtuoso?

Eu fecho essa gráfica, ótimo preço.

Força! M.respostas em azul”:On 10/11/06, João Gabriel Zogaib <jgzogaib@gmail.com> wrote: Pode deixar, dinheiro para todo mundo. Fabio, eu tenho que colocar no texto do orçamento algumas linhas relembrando como que funciona o fluxo de dinheiro, como é que a gente vai por no trabalho?

Outra coisa, vocês acham que seu eu colocar que a verba é destinada por projeto, já basta como justificativa?  Teoricamente sim, pq já estará explicado no processos, muito embora seja mentira, :$  Como eles vão saber que esse não é um número absurdo? Como eles vão saber que o SESCSP vai bancar isso? Não seria melhor colocar quanto foi destinado ao SESC Pompéia no ano de 2005? E quanto eu coloco?  O F. pode colocar na parte de processos mesmo que foi destinado 16 milhoes pro pompeia em 2005. é uma verba e tanto. Qual o sentido da vida? Pra onde vamos? De onde viemos? Eram os deuses astronautas? Como se desenvolve a vontade de fazer o que é bom e virtuoso?  O sentido da vida é do sul ao norte. Vamos para o norte. Viemos do sul. Os deuses nao eram astronautas. Os deuses eram russos e comunistas, por incrivel que pareça. Os deuses eram cosmonautas. A vontade de fazer o que é bom e virtuoso não existe. A gente só faz por obrigação.  F.eu acho que o sentido da vida é rododentrico.Eu acho que os deuses eram cosmonautas, mas eles fossem russos e comunistas, nós viveriamos bem melhor, eu nao trabalharia numa instituição de assistencia social e haveria menos (menas) criancinhas no mundoA vontade de fazer o bom e o virtuoso existe e é inata ao homem (sempre me confundi com nato, inata, essas coisas – inata para mim deveria ser “adquirida”, mas enfim) mas tem gente que nega. alguns até com certa veemencia.  EuA vida não tem sentido, ela é meramente vetorial.
Vamos dar uma volta ao redor do lago.
Viemos do outro lado.
Os deuses não eram astronautas, mas talvez alguns astronautas pensem que são deuses. Alguns astronautas eram russos e comunistas e eles enxergavam cores, pois foi um deles que disse que a terra era azul. Os cosmonautas, creio, têm algo a ver com os cavaleiros do zodíaco. Que também não são deuses, mas os conhecem de leve.
A vontade de fazer o que é bom e virtuoso nasce do amor pelos outros, querer pra eles o bem. Mas se essa vontade existe dessa forma, ela injusta e parcial, beneficiando os poucos que formos capazes de amar.

grupo dada. melhor mail do século. F.ainda nãoF.agora sim. o maior meio da nossa era. e qual será a nossa era?da pedra, da tecnologia, do shopping, dos tweens? Eudos milenials F.a era dos praxis, nao dos concretosJ.A liberação da existência cíclica é o mesmo que um budato completo?(…)  seja lá qual foi, foi uma boa era. Das boas. dada.