excreções (1) – saliva

Saliva, nunca me falte. Saliva para untar palavra com palavra, caldo primordial para brotarem as coisas que eu falo, detergente que brilhe e se solte tremelicante do aro dos lábios quando elas se desprendem e flutuam feito bolhas de sabão.

Saliva, nunca me falte. Para não engolir em seco.

Para dissolver o doce e fazer descer rápido o amargo, para cuspir em qualquer mau cidadão.

Para umedecer os lábios e fazer correr sem tropeçar os discursos.

Para pregar os selos nas cartas.

Para tirar manchas de caneta, para fazer as limpezas mais leves do rosto da pessoa amada.

Saliva, nunca me falte.

Para tingir o saibro antes da terceira bola, segundo strike.

Para os pequenos batismos do dia-a-dia, para relegar os restos de pasta de dente à pia.

Para mim e para quem quiser, para dar e vender, para encher piscinas e moringas.

Saliva para compartilhar como os viciados compartilham seringas.

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