é.

Eu ainda não encontrei minha grande pedra. Eu ainda não me feri, não gritei, não perdi uma perna. Mas é isso. Eu não tenho motivo sequer para ter medo. Entretanto, fico do lado de cá da janela e me entedio. No máximo, máximo, desenho no vapor que bafejo nos vidros. Não, querida, não é coisa de desenho animado. Pianos caem sobre as cabeças das pessoas todos os dias. Eu observo pelos vidros, então eu sei. Mas é estúpido, uma falsa inválida. Aqui dentro nada acontece exceto uma impaciência e esse medo, pra quê? É tão quieto. E eu nem sequer tenho motivos. Sim, pianos caem sobre as cabeças das pessoas, todos os dias, todos os dias. Eu mal posso esperar para descobrir

que som isso faz.

jason

Post adequado ao dia, ora pois, ora qual.

 

Mas então, até quando

vamos reabrir cicatrizes,

persistir em escolher não ser felizes,

de novo e de novo  o bis das mesmas crises

quantas vezes?

Nós vamos repetir quantas fases,

nós vamos ser quantos quases,

o quanto eu ainda posso ser kamikase

todos os meses?

 

O quanto as minhas verdades

ainda têm que fazer strip tease

e até quando seremos essa mesma reprise

De sexta-feira

treze?

realidade absurda: farra do mindingo

Bom, essa aqui um rapaz me contou depois de ler o sonho do pato do meu primo. E ela começa assim:

Era uma vez um parque que ficava lá perto da Central do Brasil, sim, aquela mesma. Lá  era uma parte um pouco erma e deserta da cidade. O parque não era só arborizado, também tinha ilustres habitantes como patos, gansos, marrecos, rolinhas, etc. Foi pensando neles que um mendigo nas proximidades resolveu pular a cerca e se convidar pra jantar.

 

Toda aquela passarada, gordinha, bem alimentada, tratada na papinha de milho para escolher e nosso famélico amigo resolve traçar…o pavão albino, o único do parque. Óbvio. Quem vai querer assar um marreco plebeu quando vê passar um glorioso penacho branco daqueles? E ele vai, agarra o passarão e é aquele estardalhaço. Mas tanto, mas tanto que os travestis fazendo ponto ali do lado de fora do parque viram e se deparam com o vagabundo judiando daquele pássaro glorioso, vitaminado, um luxo.

 

Não deu outra. Em um segundo, mais de meia dúzia de marmanjos deram um jeito de pular a cerca do parque, vestindo minissaia e salto 10, gritando Ai meu pavão albino, larga nosso passarinho, seu bruto!, e foi batom e peruca pra todo lado, pena voando, os travestis no mendigo, o mendigo no pavão, o pavão na velha e a velha a fiar.Mas já era tarde. Àquela altura, o bichinho já tinha ciscado as botas e o mendigo, bom, o mendigo já estava linchado mesmo.

 

Só restava aos travestis sacodir a poeira, retocar o pó, recolher as penas e voltar a reboletear por aí. Mas já que começamos com Era uma vez, fica de moral da história que ninguém nunca mais se atreveu a se meter com uma ave tão, digamos assim, purpurinada.

 

E viveram no luxo para sempre, que delícia.

 

The end.

(créditos finais:
argumento: luiz com z
frase de fechamento: mirella com 2 eles.)

dia desses,

(texto desconjuntado, eu sei.)

 

eles me apresentaram a ela. Diziam que ela sabia das coisas. Que abraça árvores, que chorava pétalas, que dançava com os lobos, que criava corvos. Que te via por dentro. Ela parecia uma moça normal, dizem que sempre parecem. Regata amarela, mochila nas costas, uma cara meio azeda. Mas diziam que era feliz quase sempre. Sentamos todos à mesa e falamos das coisas pequenas, da chuva, do tempo, amigos, cerveja, as coisas. Nada de oráculo, nada. E olha que eu, bem, eu acredito nas coisas.

 

A noite já ia alta e nós mais ainda. E nada de pintar epifania. E tanta cerveja, fomos ao banheiro. Entramos juntas no boxe. Era espremido e sujo, com a pia vazando, do tipo que costuma ter em botecos do centro. Daí ela virou e me disse.

Umas duas três frases e só. Na lata. No calo.

E foi isso. Que é tudo que se pode pedir de uma pequena xamã. Lobos, corvos, pétalas nada. Ela não sabe curar. Mas ela sabe dizer onde dói.

 

Depois disso, eu tenho tentado por bandeides. Viver melhor (tem melhorado, sim). Acreditar e acreditar também no que ela me disse. Ajuda. Enfim. Depois continuamos a tomar cerveja. Acho que teve também uma porção de salame. Faz um tempo isso.

 

Eu não tive a chance de vê-la menos azeda.

Eu não faço a menor idéia de porque estou contando isso para vocês.