Zózimo (ou: o epicentro do azar)

Rezam as leis da probabilística que, mesmo que a chance de ganhar na loto seja 1 em 7 bilhões, eventualmente algum bastardo sortudo colocará suas novas-ricas mãos naquelas barras de ouro que valem mais do que dinheiro.

Isso não é algo que o universo possa deixar impune, por questões de equilíbrio. Para cada surto de sorte galopante, deve haver uma maré suja de azar equivalente, de proporções atlânticas.

De forma que, a cada geração, surge um Zózimo. Para você, ente pouco escolado nas hierarquias que fazem funcionar a corporação cosmonáutica do universo, explico: o Zózimo é o bode expiatório do azar, a criatura para onde se dirigem de forma simples, rápida e automática os grandes revezes gerados pelas explosões de sorte.

Pois bem. Os Zózimos, como você pode imaginar, não duram muito, mas é possível reconhecê-los. Uma das características básicas do ser humano eleito para a posição é o nome: geralmente algo como Urraca, Antilóquio ou, o clássico, Zózimo.

O que você considera azar, para um deles, seria o dia mais feliz de toda sua vida. Quer dizer, a torrada de um zózimo não cai com a manteiga para baixo, ele come normalmente e depois morre de forma lenta e cruel por um fungo desconhecido que estava no pão.

Ele encontrará uma moeda no chão, apenas para ser atacado por uma capivara recém-saída de um bueiro. Ele ganhará uma aula grátis de surfe, durante o período de procriação do grande tubarão branco. Ele procurará paz em um convento apenas para acabar assaltado por uma quadrilha de freiras.

Quais as chances disso acontecer? Oras, pergunte ao babaca que ganhou na loteria.

Andaime

Tão apertada que parecia pintada na pele. A calça. Tão apertada que eu teria pena da circulação da moça. Se não estivesse ocupado, acompanhando o movimento ritmado dos bolsos, um pra cima, outro pra baixo, cada vez menores até ela dobrar a esquina. E nem ouviu – ou fingiu que – quando o Salomão atirou do andar de cima:
– Deus é justo, mas tua calça é mais, hem!
E era. Um brilho nesse mar de tijolo em cima de tijolo em cima de tijolo em cima de tijolo. Nossa televisão de cachorro.Sabe, televisão de cachorro? Aquele trambolho na padaria, os frangos no espeto assando, girando. Um balé de frango. O que um cachorro pode fazer além sentar, abanar o rabo e olhar, olhar o frango dançando por que é a coisa mais bonita, olhar a pele escurecendo, caramelando, mesmo sabendo que tem um vidro e esse vidro é a muralha da china, é labirinto de laser, é uma porta de aço de 27 camadas? Mas tem a cabeça da gente, e lá é um mundo onde o vidro abre, e o dono da padaria não tem balde d’água nem vassoura e lá a gente termina com a língua pra fora e o focinho brilhando de gordura.
Meio-dia, quase. A calça crocante de cimento e argamassa. Vai começar a segunda leva, todo os tipos de menina, saindo pro almoço.O Salomão desce, eu limpo o suor das mãos no jeans. Meio-dia, quase. O tradicional gole d’água, para tirar o pó da garganta antes de atirar gracejos como quem atira confeti, o hobby da categoria, benefício que tinha mesmo é que ser garantido em carteira assinada para todo mundo que passa o dia botando a cidade de pé.
Ali na curva, aparecem as primeiras. Uma morena alta, de blusa estampada e argolas imensas nas orelhas. Uma mulata de batom vermelho e shortinho. Mãe do céu. Está dada a largada do Torneio Anual de Louva-ancas. Do dia. Eu começo.
– Minha Nossa Senhora da Bunda!
Mais dois minutos, vem a próxima. Loira, daquelas com as raizes pretas. E um bocão. Deve saber chupar, e bem. Mas calma. Nem é a minha vez. O oponente dá uma engasgadinha mas tira uma da manga no último segundo:
– Lôrinha! O que eu faria contigo dava um filme.Pornô!
Outra morena, mais velha, de vestido com estampa militar. Um desafio.
– Tá camuflada, minha linda? Que roupa boa pra eu te levar pro matinho…
Sacanagem sob medida ganha ponto. Fazer ela olhar também. A temporada promete e não é nem meio-dia e dez.Vem vindo uma bem branquinha, com um cara do lado.Salomão crava a clássica.
– Tá tudo bem, meu anjo, eu não sou ciumento…
Passam minutos, e ninguém. Mais um gole d’água, pra ocupar o silêncio de decidir se terminou o torneio.E vira a esquina uma moça bem magrela, de moletom e rosto cavado, com aqueles sapatos de plástico cascudos feios como o diabo depois de ir no cabelereiro do inferno (que é uma bosta). A ereção ao contrário. A gravidade vezes dez. O anticoncepcional genético.
– Vem pra cá que eu te chupo toda!
Ela apressou o passo. Ela não olhou pra trás. Mas dava pra ver nos pelinhos da nuca que ela gostou.
Sabe como é. Se a gente não diz nada, elas se ofendem.

coisas que eu não entendo

escrevendo besteira, só pra exercitar…

sim, é ponto pacífico que eu sou uma criaturinha cabeluda e confusa, mas existem coisas entre o céu e a terra (né, horácio?) que , se freud não explica, imagina eu então.

gente que tatua o proprio nome – pra que isso? é medo de esquecer o próprio nome? Fobia de alzheimer súbito? nesse caso, não é melhor tatuar o telefone e o endereço também, assim, só por precaução?

gente que dá indiretas públicas – ah, você já viu essa pessoa em alguma rede social da vida (ok, não existem redes sociais da morte – mesmo com todo o esforço daquela gente que fica deixando scraps para os falecidos… “vô, não sei se você está lendo…mas se estiver…me passa os números da megasena?”) sim, sei que não sou a primeira a reclamar disso. Você está lá tranquilamente pensando com seus bits e bytes quando pipoca alguma janelinha de msn com um comentário muitíssimo bem endereçado – do tipo ‘tem gente que se acha”- mas peralá, isso aparece pra lista inteira. Isso não é destilar um veneninho, é uma bomba de napalm, weapons of mass destruction. Assunto pessoal é pessoal, pô. Até a galera que faz spam de enlarge your peanuts (blog de familia) tem a dignidade de não usar mídia de massa pra tratar desses assuntos assim mais…inconvenientes. ok?

vegetarianismo – tá bom, eu entendo um pouquinho. Tem aquilo tudo de não querer maus tratos aos animais. mas pô. Animal não pode, mas planta pode? Puta preconceito com as plantinhas.

Bom dia – isso é coisa de gente louca, eu sei. Por gente louca me refiro a mim, é claro. Explico: o bom dia (ou oi ou olá ou e aí FDP e demais variantes) é um estabelecedor do contato humano: “Vi que você está aí, você viu que eu estou aqui?” Pois bem. Se você olhou pra pessoa e a pessoa olhou pra você, tadá, problema resolvido! …não?

vestido com calça embaixo – vou explicar com calma porque é meio complicado. existem essas coisas chamadas roupas para cobrir as partes, assim, mais anatômicas do corpo humano. Provavelmente porque senão ninguém ia conseguir se concentrar no trabalho direito (. Ah e porque talvez caíssem pentelhos no café. Sim, as roupas foram uma boa ideia. Mas veja bem. A menos que você seja a Geisy da Uniban, o vestido cumpre suas funções perfeitamente. Sozinho. Não subestime o coitado.

Filmes/livros/seriados/etc. que terminam com a pessoa acordando de um sonho – Já foi feito, ok, senhores roteiristas? Se você for o Lewis Caroll, tá perdoado, mas o restante de vocês devia se envergonhar. Não é só por ser um final batido. É frustrante. A gente tá no cinema (livro/tv, vocês me entendenderam), a gente sabe que é ficção, a gente faz todo um exercício de imaginação para achar crível cada absurdo que você criou. Daí você bota neguinho pra acordar? Jogou tudo fora! Pior que isso, só se acordar com uma asinha de fada na mão…

só para matar o tempo

Caramba, a publicidade (como se eu não fizesse parte) adora uma data comemorativa. E dá-lhe promoção de dia das mães, dos pais, da criança, da secretária…

Porque esse preconceito com o dia de finados?

Imaginem as possibilidades:

– promoção de celulares

Não vai sobrar um Vivo pra contar a história. Aparelhos com até 50% de desconto!

 – varejo

Cremação de estoque! Colocamos nossos preços 7 palmos abaixo do resto do mercado.

 Neste feriado de finados não vai faltar galinha morta.

– baladas

Venha sacudir o esqueleto!

Não fique segurando vela. Viúvas entram de graça até a meia-noite.

Vivos: R$20

Mortos: R$ 0,00

Zumbis pagam meia.

Viagens e lazer

 Aqui a alegria não morre nunca!

Nesse feriado, descanse em paz.

ONGs

 Neste finados, ajude a afastar o fantasma da fome.

Ajudar não mata. Muito pelo contrário.

 – funerárias

O segundo enterro é por nossa conta. *

Nenhum cliente jamais voltou para reclamar.

floriculturas

Traga o atestado de óbito e ganhe 25% de desconto.

– agências de propaganda

Aproveite que vai trabalhar no feriado e crie o seu fantasma.

– motéis

travessuras ou e gostosuras.

Venha tentar uma nova posição: decúbito dorsal.

– concurso cultural

Os autores dos melhores epitáfios ganham uma viagem para comemorar o dia dos mortos no méxico com tudo pago!

– concessionárias

Fizemos de tudo para que só a gente lembrasse de você no dia de finados: Descontos em todos os carros com airbags laterais.

– shoppings

No próximo funeral, não deixe o corpo ser o único presente.

– academias

 Aproveite o feriado de finados e ressuscite seu espírito esportivo.

– lojas de roupa

Muito mais estilo na hora de abotoar o paletó.

plof, morri.

(desculpem essa. é que o post precisava de um final trágico…)

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*essa é do @danielvann 🙂

A fodástica lista de nomes para filmes pornô 2

Quem é assíduo aqui no blog talvez se lembre da lista de sugestões para nomes de filme pornô, uma homenagem a estes belos clássicos do gênero, inspirados em produções hollywoodianas, digamos, um pouco mais ortodoxas e que já produziu pérolas como “Metrix”, “Edward Mãos de Pênis” e muitos outros.

 Aqui, para diversão pessoal minha, da mi e do sartori, vai uma nova lista de títulos que a galerinha dos filmes adultos pode aproveitar em suas próximas (re)produções.

 Alta Infidelidade

Quenga Kong *

Grease – nos tempos da vaselina

Morte e vida Cicciolina**

Viadagem ao centro da terra

Os Reis do Dogstyle

O arregaçado Potemkin

Jumbo

A nova Rola do Imperador

Felação Valente

O gozo dos outros

Por uma vadia menos ordinááária

Queime a rosca depois de ler

O silêncio dos indecentes

O mágico de Oooohs!

Orgia de fúria

O curioso caso de beija meu botão ***

Massagem para Você

Gozada nas Estrelas*** (parece um tipo de dança dos famosos…)

Fodas belas e sujas

Cummer x Cummer

O labirinto do falo

Disque M para Meter

 Seção Sessão da tarde:

Uma chupada para Roger Rabbit

Se minha rosca falasse

Os broxas de Eastwick

De Volta para o teu Furo 1, 2 e 3

Curtindo a Pica Adoidado

Quero ser Glande

Os Traça-fantasmas (um clássico da necrofilia)

Seção não precisa mudar, é tão lindo:

A espada era a lei

Garotas selvagens

Todos os Homens do Presidente

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* daria um nome de filme pornô, mas também é o nome de conto em parceria com a mirella no qual uma chinesa acaba embarcando para o Brasil em um container cheio de bonecas garbie e se torna uma prostituta. O conto acabaria com ela sacudindo seu namorado anão do alto do edifício Copan, mas como não vamos terminá-lo jamais tudo bem eu fazer spoiler. Né?

** Contribuição do Vives

***Contribuição do Wilson

realidade absurda – porta de balada

Era noite de um show que a banda de um rapaz do trabalho ia dar. Como de praxe, mandou-se e-mail convidando quem quisesse, puseram-se nomes na lista pra pagar mais baratinho, a coisa de sempre.

 Bem tarde, na porta, o Renato Augusto chega ao estabelecimento.

– Boa noite, tem nome na lista?

– Isso, Danilo Veccio.

– ah, sim, está aqui – a hostess risca o nome.

– vai ali com ela, fazer a comanda.

 – Oi, qual seu nome?

– Renato Augusto.

-…

– …

– Você acabou de falar ali que era Danilo!

– erm…

– Qual o seu nome de verdade?

– Renato augusto…

 Ela pega a lista.

– Pô! Seu nome tá aqui também? Pra quê você ia entrar com o nome de outro cara?

– Bom, eu queria é que o desgraçado não entrasse…

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 Falando em estratagemas para economizar na hora de entrar na balada, uma vez o Sartori descobriu chegando na boate que quem tivesse carteirinha pagava só a metade. O rapaz em questão já não é estudante há uns bons 2 anos mas tem, digamos assim, um amor saudável pelo próprio dinheiro.

 Ele tinha perdido o cartão de crédito poucas semanas antes e estava usando um provisório, listradinho com o nome e o logotipo do Itaú. A falta completa de superego do cidadão falou mais alto. Sacou o provisório e apresentou à recepcionista.

– Essa aqui é sua carteirinha de estudante?

– Isso, sou calouro, essa é a provisória, por isso não tem foto…

– Nas Faculdades Itaú?

– É, é nova, fica lá em Moema.

-…

 E ele entrou. Viu? E tem gente que ainda se dá ao trabalho de falsificar carteirinha.  Bando de amadores…