sabadábado

pra joão, o aleatório e eric, detentor da Meg Miyagui.

Era uma escadinha de uns dois ou 3 degraus onde estávamos sentados – eu, Bahiano Qualquer, Sula Sumatra, Nego Holograma e Maria Antonia Albuquerque Vianarcolos de Holanda, que, apesar do nome esdrúxulo não é parenta do Chico.

O lugar em questão era uma festa de criança, daquelas com tema de batman& robin, docinho, chapéu de papelão e um pobre sujeito em fantasia de super-herói apanhando geral da criançada. Estávamos bancando a babá para a Moniquinha Braços-Longos, peste de 11 anos e irmã do Qualquer. Sim, em 5 pessoas, praticamente um esquadrão de guarda-costas – do tipo incompetente, já que já faz uma boa meia hora desde a última vez que a criança deu sinal de vida.

È claro que esse não era o plano A. O plano A consistia em trazer a piveta pra festa e zarpar. Mas acontece que esquecemos de um detalhe importante sobre as festas infantis. Bebida. Grátis. Por mais estranho que isso soe, é uma verdade das grandes. De que outra forma os pais e mães poderiam agüentar as músicas da Xuxa e do balão mágico ou agora, em tempos modernos, o maldito High School Musical? Não dá para culpar ninguém por aliviar as orelhas com um pouquinho de anestésico. Daí, ficamos.

O Bahiano Qualquer não tinha nem dado pela falta da guria. Estava todo enrolado no assunto brega-romântico da conversa. O sonho de valsa. O serenata de amor. Como é que bombons com recheio de paçoca viram sinônimo de música romântica? Caramba, é pasta de amendoim. O chocolate a gente até entende… A vontade é invadir um conservatório em massa e ver se alguém toca uma música dessas pra ver se tem som de papel celofane abrindo.

A gente estava mais ou menos nesse pé quando surge uma criança encharcada de refrigerante gritando. Quer dizer, gritando mais do que o normal. Sério, parece que a amigdala dela vai voar longe a qualquer momento. Agora. Agora. Aaaa-gora. É, não foi. Foram lá o Nego Holograma e a Maria Antonia ver se a menina tava machucada ou se só tinha engolido uma sirene mesmo.

–         ó, menina. Que foi?

–         Uáááááááá uáááááááá uááááááááá

–         Quer uma água com açúcar? Um pirulito? Um bandeide?

–         Uááááááááááááááááá

–         Um tranqulizante de elefante?

–         Uááááááááááááááááááá

–         Caramba, Holograma, você nunca falou com criança na vida? Oi, minha linda. Se você parar de chorar deixo você usar minha maquiagem.

–         Uá… Xô vê?

–         Pára…

E lá foi a Maria Antônia enfiar o braço inteiro naquela bolsa que, juro por deus, dava pra um gorila e três micos acamparem dentro. E cadê a bendita maquiagem? A menina fez que ia começar a berrar de novo e as coisas saindo da bolsa: chave, celular, caderno, caneta, absorvente, aquilo tudo.

Não achou. Achou só o protetor labial e penou pra convencer a menina que aquilo ali era batom invisível e que ela ia ficar lin-da. Achei melhor me afastar da situação e entrei meio sem querer na barraca da cartomante. O lugar cheirava um pouco a creme de mamão papaia, mas isso era uma coisa boa, o resto da festa cheirava a cachorro-quente. A mulher estava usando uma daquelas fantasias de cigana de carnaval, devia ter carteira assinada e em dezembro com certeza fazia a ajudante do papai Noel. Tirou as cartas: A lua, A sacerdotisa, A morte.

Eu já estava começando a me arrepender de ter comido aqueles risoles quando ela explicou que a carta não significava que eu seria condenado a pena de morte mês que vem e sim mudanças, reviravoltas, trocar de emprego, ganhar na loto, conhecer um moreno alto e sensual. A morte, por incrível que pareça, é um arcano super fofo.

Sai da barraca e decidi não participar da tenda ao lado que fazia pinturas de bichinhos na cara das pessoas. Vai que o moreno alto e sensual já estivesse por lá? Mal passei a tendinha e tive que parar, pasmo. Tava lá o Qualquer, mais louco que o batman, com a cara pintada de gatinho passando o maior xaveco na animadora. Uma autêntica vergonha pra raça humana. Fui correndo salvar a mulher.

–         Qualquer! Você tá é bem louco!

–         Pôxa, Miyagui. Nem vem. Só tava trocando uma idéia com a gatchinha.

–         Trocando idéia com a mão?

–         É. Calma. Sabe com quem aprendi isso? Ray Charles.

–         Richarlison?

–         Não. Ray Charles. Do piano e tal. Ele era cego e pegava o pulso da mulher pra saber se era bonita.

–         E dá certo?

–         Mais ou menos. Eu preciso subir a mão até a teta. Não sou muito bom em ser cego.

Dito isso, achei melhor levar o cara para algum lugar onde não fosse causar danos permanentes à saúde mental das criancinhas. Porém, todavia, entretanto não dava pra ir embora sem encontrar a peste da Moniquinha.

Peguei o bebum pelo braço e fui procurar o resto da patota. O Negro Holograma e a Sula tavam humilhando a criançada no árcade de street fighter sem o menor dó. Quanto à Maria Antônia, ela tava comendo uma quiche de aspargos que nem imagino como ela arranjou naquele império de gelatinas de morango e fanta uva. Sentei o Qualquer do lado dela, e comecei a olhar a cara das crianças pra ver se achava a irmãzinha.

Ruivos sardentos, loirinhas de cabelo preso no alto da cabeça, moleques de nariz escorrendo e joelho ralado.Correndo, puxando, gritando. Impressionante. Nessa ocasião viram demônios. Tremo só de pensar no que não fariam com um pouco de querosene e uma cortina. Aquele coral de anjinhos… mas nada da Moniquinha. Acabei tendo uma idéia obvia mas que na hora passou por brilhante – Ô Qualquer! Sua irmã não tem celular?

Ele já tava babando nos pratinhos de papelão da Cinderela. Surrupiei o aparelho do quase-defunto. Lá estava.

–         Oi Moniquinha. Não é seu irmão não, sou eu, Miyagui. Onde você foi? Como assim foi pra casa? Seu irmão ta aqui morto…de preocupação…ok, certo. Tchau.

Pirralha desgramenta. Foi embora com a mãe da sicraninha e não avisa. Pensando bem, eu também não ia querer que me vissem por aí com um adulto bêbado com pintura de gatinho na cara. Quer saber? Essa menina tem futuro.

———

escrito a partir de palavras aleatórias e entreouvidas. nhom.

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coisas que eu não entendo

escrevendo besteira, só pra exercitar…

sim, é ponto pacífico que eu sou uma criaturinha cabeluda e confusa, mas existem coisas entre o céu e a terra (né, horácio?) que , se freud não explica, imagina eu então.

gente que tatua o proprio nome – pra que isso? é medo de esquecer o próprio nome? Fobia de alzheimer súbito? nesse caso, não é melhor tatuar o telefone e o endereço também, assim, só por precaução?

gente que dá indiretas públicas – ah, você já viu essa pessoa em alguma rede social da vida (ok, não existem redes sociais da morte – mesmo com todo o esforço daquela gente que fica deixando scraps para os falecidos… “vô, não sei se você está lendo…mas se estiver…me passa os números da megasena?”) sim, sei que não sou a primeira a reclamar disso. Você está lá tranquilamente pensando com seus bits e bytes quando pipoca alguma janelinha de msn com um comentário muitíssimo bem endereçado – do tipo ‘tem gente que se acha”- mas peralá, isso aparece pra lista inteira. Isso não é destilar um veneninho, é uma bomba de napalm, weapons of mass destruction. Assunto pessoal é pessoal, pô. Até a galera que faz spam de enlarge your peanuts (blog de familia) tem a dignidade de não usar mídia de massa pra tratar desses assuntos assim mais…inconvenientes. ok?

vegetarianismo – tá bom, eu entendo um pouquinho. Tem aquilo tudo de não querer maus tratos aos animais. mas pô. Animal não pode, mas planta pode? Puta preconceito com as plantinhas.

Bom dia – isso é coisa de gente louca, eu sei. Por gente louca me refiro a mim, é claro. Explico: o bom dia (ou oi ou olá ou e aí FDP e demais variantes) é um estabelecedor do contato humano: “Vi que você está aí, você viu que eu estou aqui?” Pois bem. Se você olhou pra pessoa e a pessoa olhou pra você, tadá, problema resolvido! …não?

vestido com calça embaixo – vou explicar com calma porque é meio complicado. existem essas coisas chamadas roupas para cobrir as partes, assim, mais anatômicas do corpo humano. Provavelmente porque senão ninguém ia conseguir se concentrar no trabalho direito (. Ah e porque talvez caíssem pentelhos no café. Sim, as roupas foram uma boa ideia. Mas veja bem. A menos que você seja a Geisy da Uniban, o vestido cumpre suas funções perfeitamente. Sozinho. Não subestime o coitado.

Filmes/livros/seriados/etc. que terminam com a pessoa acordando de um sonho – Já foi feito, ok, senhores roteiristas? Se você for o Lewis Caroll, tá perdoado, mas o restante de vocês devia se envergonhar. Não é só por ser um final batido. É frustrante. A gente tá no cinema (livro/tv, vocês me entendenderam), a gente sabe que é ficção, a gente faz todo um exercício de imaginação para achar crível cada absurdo que você criou. Daí você bota neguinho pra acordar? Jogou tudo fora! Pior que isso, só se acordar com uma asinha de fada na mão…